Jurídico
28/03/2012 13:15 - Será que precisamos engolir o sapo do protecionismo?
O pedido de salvaguarda contém um "programa de ajuste" proposto pelos peticionários que otimizaria o mercado de vinhos brasileiros. A questão fundamental é: então, precisamos de salvaguarda?
Tomemos dois modelos exemplares. O mercado norte-americano, nos anos 90, deparou-se com uma indústria vitivinícola bem estabelecida, mas com dificuldades de exportar. Criou-se o projeto Wine Vision, para melhorar a imagem do produto, torná-lo parte da cultura americana e posicioná-lo em mercados-alvo globais.
Em nenhum momento o vinho importado foi objeto de ataque, e os EUA continuam como um dos mais importantes mercados importadores.
Na Austrália, quando o vinho tomou força e o governo quis aumentar impostos, produtores apresentaram um plano chamado Strategy 2025 para fortalecer o mercado interno e as exportações, mas sem necessidade de mais impostos. E conseguiram.
O "programa de reajuste" e sua implementação efetiva não seriam suficientes para tornar o mercado brasileiro mais competitivo, sem necessidade da salvaguarda?
O argumento de que países da Europa despejaram seus vinhos no Brasil a baixos preços por causa da crise não é forte. Esse aumento evidencia o potencial de consumo no Brasil, de uma classe média sedenta por variedade. De brasileiros ou importados.
Em 2011, o consumo do vinho brasileiro cresceu 7% em relação ao ano anterior. Por que o medo da concorrência? Busquemos medidas para diminuir impostos. Por que não incluir os pequenos produtores no Simples ou derrubar o selo fiscal que onera a todos? Protecionismo não é uma fórmula saudável.
O consumidor escolhe um francês, um argentino ou um brasileiro porque quer beber histórias e culturas que tão bem se expressam na taça.
Limitar isso é vedar o acesso à cultura de troca universal que o vinho proporciona. É emburrecer o consumidor. É obrigá-lo a consumir um produto local que, mesmo que seja apreciado, não foi o escolhido naquele momento.
Independentemente das medidas dos países exportadores, os peticionários devem temer a repulsa e o boicote do consumidor brasileiro que, timidamente, começava a ter orgulho de seu vinho. Ele não vai engolir esse sapo.
ALEXANDRA CORVO
COLUNISTA DA FOLHA
Fonte: Folha.com.br (28.03.12)
Veja mais >>>
08/04/2026 12:56 - PAT chega aos 50 anos com novas medidas de gestão e eficiência08/04/2026 12:55 - MTE lança Canpat 2026 com foco na prevenção de riscos psicossociais no trabalho
08/04/2026 12:54 - Novo conceito de praça para calcular IPI retroage em favor do contribuinte
08/04/2026 12:52 - TRT-2 mantém justa causa de segurança flagrado em show após apresentar atestado médico
08/04/2026 12:52 - Mantida justa causa de empregada que faltava ao trabalho para atuar em outra empresa
08/04/2026 12:51 - Informativo destaca intimação do devedor na convolação do cumprimento de sentença provisório em definitivo
08/04/2026 12:49 - TRT 1ª Região – Expediente suspenso no TRT-RJ nos dias 20/4 e 5/6
07/04/2026 13:43 - Justiça reconhece regularidade no fracionamento das férias em até três períodos com base em mudança após reforma trabalhista
07/04/2026 13:43 - STF invalida lei mineira que exigia informações adicionais em rótulos de produtos para animais
07/04/2026 13:42 - Depósito para pagar dívida incontroversa afasta mora, decide TJ-SP
07/04/2026 13:41 - Página de Repetitivos traz dispensa de ofício a órgãos públicos para validade de citação por edital
07/04/2026 13:40 - Jurisprudência em Teses traz novos entendimentos sobre o instituto da reclamação
07/04/2026 13:40 - Receita Federal disponibiliza nova versão do PGD DCTF
07/04/2026 13:37 - Ouvidoria: Fala.BR passa a usar IA para agilizar atendimento
07/04/2026 13:36 - TRT 3ª Região – PJe estará indisponível no próximo final de semana
