Jurídico
23/04/2015 11:09 - Governo e caminhoneiros destoam em discurso sobre o resultado de reunião
O Ministério dos Transportes e a Secretaria-Geral da Presidência da República divulgaram notas na tarde de hoje (22), depois da reunião com representantes dos caminhoneiros, nas quais explicam que o governo federal atendeu as reivindicações dos caminhoneiros, apesar de um dos pontos – a tabela de frete mínimo, considerado o principal pleito dos trabalhadores – não ter sido atendido.
As notas dos dois órgãos enfatizam vários pontos de convergência entre caminhoneiros e governo. Dentre elas a sanção da Lei 13.103/12, conhecida como Lei dos Caminhoneiros, além da isenção de pagamento de pedágio para o eixo suspenso de caminhões vazios e a criação de uma mesa permanente de negociações entre governo, caminhoneiros e embarcadores.
Foram colocados, no total, 15 pontos que atendem aos interesses dos caminhoneiros. O ministro Miguel Rossetto (Secretaria-Geral) defendeu que as medidas foram construídas em ambiente de diálogo e respeito. "São conquistas importantes que marcam nova relação entre o governo federal e o setor de transporte de cargas, em especial, os caminhoneiros. Queremos continuar esta construção de agenda positiva a partir de um diálogo permanente”, diz em nota.
Na coletiva à imprensa, cerca de uma hora após o fim do encontro, o discurso se manteve. “Estamos seguros de que há um reconhecimento muito grande da categoria [em relação] aos avanços [conquistados]. Acreditamos em amplo apoio da categoria”, disse Rossetto.
No entanto, o que se viu na saída da reunião, na sede da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), contrasta com o tom conciliador das notas oficiais. Os trabalhadores saíram do local da reunião fazendo muito barulho e gritando “o Brasil vai parar!”. Do lado de fora da ANTT, fizeram uma pequena assembleia, aprovando a paralisação a partir da zero hora de amanhã (23).
Porta-vozes dos caminhoneiros autônomos esperavam que o governo cedesse na questão da tabela de frete mínimo, uma vez que foi irredutível sobre o preço do óleo diesel. Como o governo não cedeu, o tom era de derrota nos diálogos com o governo. “Nós nos sentimos derrotados neste momento. Precisávamos de uma tabela mínima de preço de frete, e não foi isso que o governo deu”, disse Janir Botelho, representante dos caminhoneiros autônomos.
Os caminhoneiros consideram que a tabela mínima, impondo um piso no valor do frete, os protegeria contra oscilações do mercado que, segundo eles, costumam repassar uma baixa lucratividade no preço do frete. “No período de safra, o preço do frete é normal. Mas na entressafra, querem reduzir o preço. O problema é que os preços do óleo, da manutenção e dos salários dos motoristas não abaixam”, disse o caminhoneiro Marcos Vieira, de Mato Grosso.
Rossetto, no entanto, explicou que a tabela impositiva é inconstitucional, e por isso não pode ser aplicada. No seu lugar, propôs o uso da tabela referencial. Essa tabela seria usada apenas como referência para a negociação do preço do frete, não sendo, portanto, obrigatória sua utilização. “A tabela referencial é um instrumento forte, que viabiliza a atividade econômica. Estamos seguros que uma tabela de custos cria uma base técnica para negociação”, disse o ministro.
Caminhoneiros alegam que a tabela referencial não é respeitada e não baliza as negociações de frete. Em resposta, Rossetto disse que o governo tem estimulado os embarcadores a terem uma relação direta com os caminhoneiros, sem a participação de atravessadores. Além disso, a mesa de negociação permanente entre eles e o governo facilitaria as transações comerciais entres as duas partes e o uso da tabela referencial.
Agora, o governo aguarda se os caminhoneiros vão mesmo parar, como prometeram na saída da reunião. “Vamos acompanhar”, se limitou a dizer o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, confiante de que tem “amplo apoio” da categoria.
Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil
Edição: Stênio Ribeiro
Fonte: Agência Brasil (22.04.2015)
Veja mais >>>
06/04/2026 13:22 - Comissão debate fim da escala 6x1 e redução da jornada de trabalho com confederações setoriais06/04/2026 13:22 - Receita Federal – Nota à Imprensa - Reforma Tributária: Receita Federal esclarece que não há aplicação de multas antes de 90 dias após a publicação do regulamento
06/04/2026 13:21 - CNJ reforça direito à sustentação oral e barra restrições em julgamentos virtuais
06/04/2026 13:20 - eSocial atualiza cálculo de contribuições previdenciárias conforme Lei Complementar nº 224/2025
06/04/2026 13:17 - Portaria da PGFN regulamenta pedido de falência de devedores da União
02/04/2026 13:50 - MTE debate modernização do PAT com setor de benefícios e reforça compromisso com equilíbrio e concorrência
02/04/2026 13:49 - TJ-RJ extingue ação baseada em jurisprudência inexistente e aciona OAB-RJ
02/04/2026 13:49 - Depósito anterior à transação tributária vira pagamento definitivo, decide ministro
02/04/2026 13:48 - TJRJ – Páscoa: Plantão Judiciário funcionará para atender casos urgentes
02/04/2026 13:47 - TJSC – Judiciário catarinense atuará em regime de plantão no feriado de Páscoa
02/04/2026 13:46 - Receita Federal – Restituições não creditadas somam mais de R$ 265 milhões
02/04/2026 13:45 - Receita Federal amplia simplificação do Imposto de Renda e prepara novas melhorias para os próximos anos
01/04/2026 13:55 - Novos prazos para licença-paternidade valem a partir de 2027
01/04/2026 13:53 - Anvisa realiza diálogo setorial sobre propostas de aprimoramento da rotulagem de alimentos
01/04/2026 13:52 - STF terá expediente alterado na Semana Santa
