Jurídico
26/09/2012 16:19 - Bancos querem taxa extra de lojista para parcelar sem juro no cartão
Medida acertada pelas grandes instituições deve ser aplicada gradativamente após o Natal
Lojistas preveem que acontecerá redução no número de parcelas das compras feitas sem juros pelo cartão
Os bancos encontraram uma saída para viabilizar a redução dos juros do cartão de crédito: cobrar uma taxa extra do estabelecimento comercial que vender produtos parcelados sem juros.
Pagará mais quem parcelar por um prazo maior.
A medida está sendo discutida por Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander com o governo federal.
A alternativa passou a ser discutida há dois meses, quando os bancos viram que não teriam como resistir às pressões contra os juros "escorchantes", nas palavras de Guido Mantega (Fazenda).
Hoje, o lojista oferece o financiamento ao cliente, recebe o valor da compra a prazo, mas quem arca com o risco da inadimplência é o banco, emissor do cartão.
Para os bancos, quanto maior o número de parcelas maior é o risco de calote.
Segundo Roque Pellizzaro, presidente da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), a medida vai estimular o varejista a encurtar o parcelamento. "Enquanto as taxas eram altas e assimiláveis, era fácil embutir no preço dos produtos. Agora, as margens são menores e teremos que rever."
A proposta de acabar com as compras parceladas sem juros não evoluiu porque, se fosse extinta, o comércio resgataria o cheque pré-datado.
A ideia é iniciar a cobrança, gradativamente, a partir do ano que vem para não comprometer o Natal. Ainda não há definição sobre como calcular esse risco que será dividido com os lojistas.
"Hoje, é o lojista que decide parcelar ou não, mas o risco não é dele. Ao mesmo tempo, ele sabe quanto vai custar. Temos uma precificação que não é equilibrada e a conta vai para quem paga a fatura do cartão no rotativo. E para o cliente que paga tudo à vista e tem um produto caro", disse Marcio Schettini, vice-presidente do Itaú.
A medida ainda reduz o comprometimento da renda das famílias. O parcelamento no cartão não entra no cálculo do nível de endividamento, mas consome uma parte importante da renda.
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA
TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO
Fonte: Folha.com.br (26.09.12)
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