Jurídico
20/08/2014 10:53 - Abecs diz ser contra preço diferenciado no cartão
A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) disse ser contra a diferenciação no valor de bens e serviços para pagamento no cartão de crédito e em espécie, mas está aberta a debates, segundo Marcelo Noronha, presidente da instituição. "A Abecs sempre participou de audiências públicas, inclusive, no Congresso, e estamos abertos sempre a discutir com organismos de defesa do consumidor e lojistas. Mas a experiência em outros países não foi benéfica para o consumidor nem para o mercado", afirmou ele, nesta terça-feira (19).
Noronha destacou que essa diferenciação vai de encontro à produtividade dos lojistas e que há ainda questionamentos em relação à formalização da economia, uma vez que os pagamentos feitos no cartão têm confirmação de pagamento e recebimento. Ele reforçou ainda o papel do cartão de crédito, que, além de meio de pagamento, passou a ser ainda um meio de financiamento para o consumidor.
No primeiro semestre, segundo a Abecs, foram financiados bens e serviços novos no montante de R$ 170,3 bilhões, respondendo por 50,1% da carteira total de recursos livres. Nesta conta, disse Noronha, não foram considerados rotativo, fatura refinanciada e compras pagas à vista. O presidente da Abecs lembrou que o projeto que permite a diferenciação de preço no cartão de crédito e no dinheiro caminha para a Câmara e que não há debate a respeito do assunto.
Balanço
No primeiro semestre, os cartões de débito e crédito movimentaram R$ 455 bilhões, expansão de 16,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 4,8 bilhões de transações com plásticos na primeira metade de 2014, segundo a entidade, 12,3% a mais em idêntica base de comparação. "Com este desempenho, vamos conseguir alcançar R$ 1 trilhão em cartões de crédito e débito neste ano, montante que representará crescimento de 17% ante 2013", afirmou Marcelo Noronha.
Da cifra movimentada no primeiro semestre, o cartão de crédito respondeu por R$ 291 bilhões, expansão de 13,5% em um ano. Foram 2,3 bilhões de transações, avanço de 9,5%, na mesma base de comparação. De janeiro a junho, o brasileiro gastou, em média, R$ 83,4 em cada transação com cartão de crédito, tíquete menor que o visto um ano antes, de R$ 87,7.
Já os cartões de débito movimentaram R$ 164 bilhões no primeiro semestre, alta de 21,6% em 12 meses. O plástico foi responsável por 2,5 bilhões de transações no período, aumento de 15%, e apresentou tíquete médio de R$ 43,5 ante R$ 44,7 em um ano.
O valor gasto por estrangeiros no Brasil, influenciado pela realização da Copa do Mundo, foi de R$ 1,3 bilhão em junho, aumento de 96,9% em um ano e de 55,7% ante maio. "Devemos ter impacto nos números de julho do setor de cartões também por efeito Copa", afirmou Noronha.
Previsões para 2015
O setor deve continuar apresentando inflexão na curva de crescimento em 2015, resultado do aumento da base, mas a expansão permanecerá na casa dos dois dígitos, segundo Marcelo Noronha. As projeções da entidade já foram definidas para o próximo exercício, porém, de acordo com ele, ainda não serão anunciadas.
Sobre o término dos acordos existentes entre bandeiras e adquirentes, ele disse que esse movimento deve ser realidade já no quarto trimestre deste ano. Segundo o presidente da Abecs, a entidade não vai arbitrar preços e condições, mas estimular players a chegarem a acordos privados.
"O término dos acordos vai acontecer de maneira ampla. Pode ter gente posicionada que não queria acordo, mas vamos continuar observando queda de preço no mercado brasileiro", destacou Noronha.
No primeiro semestre, as taxas de desconto ao lojista (MDR, na sigla em inglês) no cartão de crédito foi a 2,72% ante 2,98% em 2008. No débito, recuou para 1,53% contra 1,60%, na mesma base de comparação. A tendência do indicador, conforme reforçou Noronha, é de retração em meio à concorrência entre as adquirentes que atuam no setor, como Cielo e Rede (ex-Redecard).
Veículo: Diário de Pernambuco
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