Jurídico
13/09/2022 15:00 - Condenado por litigância de má-fé pode ter poupança penhorada, diz TJ-SP
Se a conduta processual da parte deve sempre se pautar com base na verdade, a impenhorabilidade não pode beneficiar o litigante desonesto, que faz pouco caso das balizas estruturantes do sistema de justiça.
O entendimento é da 28ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo ao negar a impenhorabilidade de valores depositados na poupança de um condenado a indenizar a parte contrária em virtude de litigância de má-fé.
De acordo com o colegiado, ainda que o Código de Processo Civil estabeleça que valores em poupança (até 40 salários mínimos) não possam ser penhorados para execução de dívidas judiciais, tal dispositivo não deve ser considerado quando é constatada a má-fé de uma das partes.
"Se aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo com a boa-fé e se todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva, sempre com base na verdade, afigura-se-me que a impenhorabilidade não pode beneficiar o litigante desonesto, que faz pouco caso do sistema de justiça”, disse o relator, desembargador Ferreira da Cruz.
Entendimento diverso, na visão do magistrado, implicaria chancelar e prestigiar a má-fé, "a fazer de letra morta o princípio geral de direito segundo o qual a ninguém é dado valer-se da própria torpeza". Cruz também observou que a litigância de má-fé é "tão repudiada" que os seus desdobramentos pecuniários sequer são alcançados pela gratuidade.
"Força é concluir, portanto, que as regras protetivas do sistema, impenhorabilidade inclusive, não aproveitam àqueles que desrespeitam suas próprias balizas estruturantes", finalizou o desembargador. A decisão foi por unanimidade.
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Processo 2155634-86.2022.8.26.0000
Fonte: Revista Consultor Jurídico – 13/09/2022
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