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29/01/2009 10:10 - Seca já reduz produção de leite no Sul

Os prejuízos que a estiagem causou no agronegócio do Sul do Brasil continuam a crescer. No que diz respeito à produção animal, a pecuária leiteira foi uma das atividades mais atingidas no Rio Grande do Sul (RS). A pecuária de corte também sofreu, mas os reflexos serão conhecidos apenas ao longo dos próximos meses, quando chegará a época de maior número de nascimentos de bezerros, segundo a Federação de Agricultura do estado (Farsul).

 

O nível diário de produção de leite caiu cerca de 28,5% entre agosto e dezembro do ano passado no estado. A queda na produtividade - o RS é o segundo no ranking dos maiores fornecedores de leite do País -, poderá trazer certa sustentação às cotações do produto no mercado nacional. Os gaúchos têm a expectativa de que a produtividade volte a crescer a partir de maio deste ano.

 

Até meados do ano passado, a produção gaúcha de leite vinha crescendo mês a mês e atingiu 9 milhões de litros por dia em agosto. Em dezembro, esse nível passou para 7 milhões de litros/dia. "A estiagem dificultou o desenvolvimento das pastagens, influenciou a produtividade das culturas", avalia Jorge Rodrigues, presidente do Conselho Estadual do Leite (Conseleite) do RS.

 

Outro motivo que levou ao baixo rendimento dos animais foi a queda nos preços do leite, a partir do segundo semestre. Esse fato atrelado à alta de custos da ração acabou influenciando na dieta dos animais. O uso de alimentação concentrada é importante na pecuária leiteira gaúcha, onde 80% da atividade tem como base o semiconfinamento.

 

Os produtores esperavam melhoria do cenário a partir de fevereiro, quando aumentaria a disponibilidade de grãos no estado com a colheita da safra e, assim, os custos seriam reduzidos. No entanto, a seca também castigou as lavouras de milho e soja. Segundo Carlos Sperotto, presidente da Farsul, as perdas contabilizadas nessas culturas são de 31% e 12%, respectivamente, de acordo com levantamento feito pelos agricultores. Os produtores de grãos do estado tinham estimativa inicial de colher 5,780 milhões de toneladas de milho e 9,350 milhões de toneladas de soja. Outras culturas também foram seriamente atingidas, como é o caso do feijão, cujas perdas da safra são de 54%.

 

Os dados foram todos apresentados à direção da Farsul, na sexta-feira passada, por 60 sindicatos que envolvem produtores do agronegócio no estado. "Agora a expectativa de que a produção de leite volte a crescer passa para o final de maio, época da safrinha", acrescenta Rodrigues.

 

Reflexos para 2009

 

O recuo dos preços do litro de leite pagos ao produtor no segundo semestre do ano passado se intensificou após o estouro da crise financeira global. A partir de outubro, as exportações sofreram queda e, se já havia excedente de produção no mercado interno, a situação se agravou, pressionando mais ainda os preços ladeira abaixo. Para pagar os custos, segundo o Conseleite/RS, o litro teria de valer entre R$ 0,60 e R$ 0,64.

 

De acordo com dados da Scot Consultoria, a última média mensal de preços pagos ao produtor foi de R$ 0,582/litro no Rio Grande do Sul. A média nacional está em R$ 0,589/litro.

 

Segundo avaliação de Cristiane de Paula Turco, consultora da Scot, a queda na produtividade gaúcha pode trazer algum impacto em preços no País, mas não de maneira significativa. "Com base nas informações do Conseleite, se prosseguir a redução de produção no estado, o fato pode contribuir para deixar o mercado nacional menos frágil, ou seja, um pouco mais ajustado. O impacto não deverá ser maior porque hoje há mais oferta do que demanda no Brasil", avalia.

 

De acordo com informações fornecidas pelo pesquisador Gustavo Beduschi, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o Rio Grande do Sul atingiu o segundo lugar no ranking dos estados brasileiros fornecedores de leite no mercado formal. O estado vem logo depois de Minas Gerais e forneceu fatia de 17% dos 14,352 bilhões de litros captados no País. Os mineiros forneceram 28%. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com o acumulado entre janeiro e setembro de 2008. A tendência é de estabilidade de preços para o próximo pagamento.

 


Veículo: DCI

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