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26/08/2008 13:18 - O guru da comida saudável

Como o engenheiro florestal Joe Valle fez de dois fracassos a chave para se tornar um mito da agricultura orgânica no País

DENIZE BACOCCINA


Foi o fracasso que levou o engenheiro florestal Joe Valle à agricultura orgânica. Depois de duas tentativas frustradas com a agricultura convencional, Valle resolveu tentar o que ainda era uma atividade desconhecida no Distrito Federal, onde o agricultor introduziu e disseminou a prática de produtor usando métodos naturais de cultivo. Acabou virando o pai da agricultura orgânica na região. Desde o início, Valle tinha bem claro que queria ser produtor rural, mas, observando as dificuldades dos outros produtores, percebia que não conseguiam viver da terra. “Eu tinha bem claro: se não der pra viver disso, não quero trabalhar com isso”, contou à DINHEIRO.


O primeiro fracasso aconteceu ainda em 1982, quando ainda era estudante da Universidade de Brasília (UnB) e resolveu plantar couve-flor numa propriedade que tinha nos arredores da capital, a Fazenda Malunga. Feita a colheita, tentou sem sucesso comercializar a produção na Ceasa. Depois de alguns horas, para não ter que voltar com a produção para casa, resolveu doar a carga a um grupo de mulheres que pedia alimentos no local. “Elas não quiseram, disseram que já tinham muito”, lembra. A outra tentativa, em 1985, resultou numa intoxicação com agrotóxico. Não muito forte, mas suficiente para assustar e alertar o produtor para os riscos. Valle resolveu então tentar outro caminho. Na faculdade, já tinha aprendido sobre a agricultura orgânica. Resolveu procurar em São Paulo Yoshio Suzuki, um dos pioneiros do segmento no Brasil, que o ajudou a criar o sistema na Fazenda Malunga.

 

Junto a 15 colegas da universidade, Valle resolveu produzir numa área de mil metros na Fazenda Malunga e vender os produtos numa feira na UnB e num outro local em Brasília. “Tínhamos que distribuir senha, dava até briga por um maço de cenoura”, conta. Em 1995, o casamento com a engenheira agrônoma Clevane Ribeiro foi um novo marco. Proprietária de uma loja de agrotóxicos no sul de Minas, ela se converteu à agricultura orgânica e foi a responsável pela profissionalização da empresa. Dois anos depois, os produtos começaram a ser vendidos nos supermercados da capital.

 

"O Brasil precisa de mais estudos para a agricultura orgânica profissional"
JOE VALLE, produtor orgânico do Distrito Federal

 

Hoje, a Fazenda Malunga é modelo no setor e seus produtos podem ser encontrados em 36 supermercados da capital, a maioria já embalado e pronto para o consumo. São 20 toneladas ao mês de 120 itens, entre hortaliças, laticínios, aves e ovos. A produção só não chega a outros Estados porque a demanda de Brasília não pára de crescer, em torno de 30% ao ano. No Brasil, o mercado é estimado em US$ 300 milhões, com 19 mil produtores que utilizam 800 mil hectares, 3% do total. De ação coletiva de um grupo de amigos, a Maluga virou uma empresa estruturada, com faturamento anual de R$ 400 milhões e métodos de gestão comparáveis aos das grandes empresas. São 157 funcionários com carteira assinada e todos com mais de dez anos de casa integram o conselho deliberativo e o conselho técnico. Além disso, a Malunga divide 30% do lucro líquido entre os conselheiros. É uma aplicação prática do conceito de “produtor feliz”, remunerado de forma adequada pelo seu trabalho e uso de recursos, defendido pelos agricultores orgânicos. A agricultura orgânica também é mais lucrativa, especialmente num momento como o atual, de alta no preço dos insumos. Dependendo da gestão, o lucro pode ser de 10% a 50% maior do que o obtido na agricultura convencional.

 

Da roça, a carreira de Valle o levou à Esplanada dos Ministérios, com passagens por sindicatos e associações de produtores orgânicos. Eleito suplente de deputado federal em 2006, desde junho do ano passado é secretário de Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia. Entre as ações do governo para disseminar o método estão a criação de cursos de agroecologia nas principais regiões produtoras e cursos de mestrado em agricultura orgânica. “É uma forma de criar o agronegócio nacional”, acredita. Ele também vê um grande potencial para a agricultura orgânica na agricultura familiar. “É um casamento perfeito.” O que falta, diz, é mais pesquisa, para desenvolver insumos biológicos que aumentem a produtividade. “A agricultura convencional já tem um volume de pesquisa grande, precisamos disso também na produção orgânica.” O que ele não reclama é de falta de consumidor. Diz que os compradores aceitam o preço maior e que o orgânico tornou-se um excelente negócio. “Existe uma grande demanda. Falta produto no mercado. A oferta está concentrada nos grandes centros”, afirma.

 

Veículo: Revista Dinheiro Rural

 

 

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