Geral
26/06/2013 12:28 - Chuvas prolongadas reduzem otimismo com safra de trigo
As chuvas que atingem o Sul do País têm atrasado o plantio do trigo em algumas regiões e, se permanecerem, podem prejudicar a quantidade e a qualidade desta safra, o que pode inclusive aumentar a importação do cereal.
O produtor Anton Gora, de Guarapuava (PR), está há 20 dias sem conseguir entrar em sua lavoura por causa das precipitações. No início do ano, ele havia calculado aumentar sua área plantada em 10%, passando para 120 hectares com lavoura de trigo, já que as condições de preço e as previsões climáticas na época ofereciam condições positivas para o aumento.
O otimismo do setor com a safra 2013/2014 do cereal se refletia ainda no último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que prevê que a área plantada com trigo vá crescer 9,5%, para 2,1 milhões de hectares, e a produção passe para mais de 5,5 milhões de toneladas, alta de 26,9% com relação ao período passado.
Porém, as chuvas das últimas duas semanas caíram como um balde de água fria para alguns produtores. Até ontem, Gora só havia conseguido plantar 10% da área prevista. Se fosse um ano de inverno seco, o plantio já deveria estar no fim.
A Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab) do Paraná afirmou ao DCI que a situação dos produtores do Sul e sudeste do estado, como é o caso de Gora, é "pontual", e antecipou que 84% da área prevista para o plantio de trigo já foi semeada. "Tivemos atrasos principalmente no norte do estado, mas hoje as áreas estão todas plantadas. Pode haver um atraso pontual no Sul e Sudeste, mas o atraso está dentro do esperado, não é significativo", explicou o técnico da área de trigo da Saep, Hugo Godinho.
A área de trigo plantada no Paraná cresceu mais de 15% nesta safra e representa 46,8% de todas as lavouras do cereal no País.
Produtividade afetada
Outra consequência das chuvas de inverno é sobre a qualidade do cereal. "Se chover mais uma ou duas semanas, pode haver um problema sério de quantidade e qualidade", alertou Lawrence Pih, presidente da Moinho Pacífico, de São Paulo.
As previsões, no entanto, não são animadoras. A Somar Meteorologia divulgou ontem boletim indicando que, hoje, "no Paraná, o dia será de muita nebulosidade e chuva a qualquer momento do dia. Ainda há risco para temporais sobre o norte do estado".
Com a continuidade das chuvas, a incidência de pragas começa a chegar mais cedo às lavouras. "Com clima úmido e chuvoso, os fungos se multiplicam mais rápido", afirma o produtor José Antônio Silva da Veiga, ex-presidente da extinta Associação de Produtores de Trigo e Soja do Rio Grande do Sul (RS). Após plantar metade da área prevista de trigo, Veiga ficou dez dias sem semear por causa das chuvas, mas ele contou que está mais preocupado com as doenças, que exigirão mais aplicações de fungicidas. "Ao invés de três aplicações, serão necessárias quatro ou cinco aplicações", disse. Ele costuma passar fungicida na lavoura em agosto, mas admitiu que pode antecipar a decisão.
Gora, do Paraná, estimou que, se as previsões de mais chuvas se confirmarem, ele terá que "dobrar o número de aplicações. A cada 20 dias teria que entrar para aplicar. Vai dobrar o custo de produção". Neste ano, produtores do Paraná estão com custos equivalentes a 2,8 toneladas por hectare, alta de 7,7% na comparação anual. Apenas as aplicações de defensivos custam mais de R$ 70 por hectare.
Godinho, da Secretaria de Agricultura paranaense, ressaltou, no entanto, que o produtor não deve antecipar as aplicações neste momento. "[Os produtores] teriam que fazer as aplicações de fungicidas agora, mas não vão poder. A perspectiva é que aumentarão as doenças e diminuirá a produtividade e qualidade da lavoura. Mas, no momento de chuvas, fazer aplicações seria perder os fungicidas para a próxima chuva", alertou.
Importações
A demanda por trigo no Brasil é de cerca de 10,5 milhões de toneladas a 10,77 milhões de toneladas. Ante uma safra prevista em 5,5 milhões de toneladas, o País terá que importar mais de 6,5 milhões de toneladas do cereal, calcula Pih, da Moinho Pacífico. Ele observou, porém, que essa relação pode se alterar caso a produção nacional decepcione.
Com uma desvalorização cambial de cerca de 30% nos últimos dois meses, os moinhos brasileiros já trabalham com a perspectiva de preços maiores pelo produto importado.
Pih afirmou que os estoques atuais darão conta da demanda do setor produtivo até o início da colheita, em setembro. Além disso, está prevista a importação de 1 milhão de toneladas de trigo norte-americano, o que, segundo o presidente do moinho, "vai aliviar um pouco a situação".
Mesmo assim, ele disse que os preços nesta entressafra estão acima de R$ 900 por tonelada, ante R$ 520 no ano passado. "O problema é que o produtor está pedindo esse preço em função do câmbio. Se o Brasil não quer comprar, o produtor exporta."
Veículo: DCI
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