Geral
24/11/2008 08:42 - Aracruz deve culpar Zagury por prejuízos
Uma assembléia de acionistas da fabricante de celulose Aracruz deve apontar hoje o ex-diretor financeiro da empresa Isac Zagury como o responsável pelas operações com derivativos de câmbio que levaram a companhia a perdas bilionárias. É praticamente certo que Zagury será réu de um processo judicial por danos ao patrimônio da Aracruz. Isso porque o conselho de administração, que convocou a assembléia com esse objetivo, é formado, em sua maioria, por representantes dos controladores da empresa, justamente quem vai definir o desfecho da votação. Em conjunto, os controladores - os grupos Votorantim, Safra e Lorentzen- detêm 84% das ações ordinárias (com direito a voto) da Aracruz.
A estratégia definida pelos conselheiros, que são assessorados pelo advogado Marcelo Trindade, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), é tomar a dianteira do processo, atribuindo a responsabilidade a Zagury e, com isso, tentar evitar que eles próprios se tornem alvo de acusações de outros acionistas. São os controladores que têm, de fato, condições financeiras de cobrir o prejuízo de US$ 2,1 bilhões registrado pela Aracruz com derivativos.
A Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, tem interesse em contratar uma empresa de auditoria para conduzir uma investigação e, apenas ao final desse processo, apontar responsáveis. O mesmo caminho foi escolhido pela Previ na Sadia, que também registrou perdas com derivativos de câmbio e onde o fundo de pensão também é acionista.
Na assembléia de hoje, será necessário quórum de 25% dos acionistas detentores de ações ordinárias. A abertura de processo será decidida por maioria simples em relação ao quórum presente. Ou seja, basta pouco mais de 12,5% das ONs. Cada um dos grupos controladores detém sozinho 28% das ordinárias. Nas últimas reuniões do conselho de administração, os representantes da Arapar, liderada pelo grupo Lorentzen, têm se abstido de votar. A justificativa é que a Arapar assinou o contrato de venda de suas ações à Votorantim e que, portanto, querem evitar que as suas decisões possam vir a ser contestadas por falta de legitimidade. Pela mesma razão, é provável que a Arapar não vote na assembléia de hoje. Ainda assim, Votorantim e Safra têm ações suficientes para aprovar o processo.
Desde que se afastou da empresa, no fim de setembro, Zagury tem se mantido em silêncio, recolhido em seu apartamento no bairro de ão Conrado, no Rio. Para sua defesa, foi contratado o advogado José Carlos Osório, que é pago pela Aracruz, conforme determina a lei. A interlocutores, Zagury tem dito que sabe que se tornou "persona non grata" no setor de papel e celulose e nos meios financeiros, onde construiu sua carreira. Ele tem admitido que houve falha da empresa, mas se queixa da responsabilidade dos bancos que fecharam os contratos de derivativos com a Aracruz. Zagury tem repetido que os bancos foram "muito safados", pois, segundo sua versão, explicaram mal o funcionamento dos instrumentos derivativos a muitos de seus clientes. O ex-executivo considera, ainda, uma "fatalidade" que o dólar tenha se valorizado tanto.
A política de uso de derivativos de câmbio da Aracruz era aprovada pelo conselho de administração e avalizada pelo comitê de finanças, formado por Zagury e representantes dos três controladores. Um deles era o executivo Valdir Roque, ex-Votorantim e apontado para substituir Zagury, mas que na semana passada foi demitido. Roque se desgastou com credores e acionistas e não retornará ao grupo Votorantim.
Apesar dessa estrutura de aprovação da política de derivativos da companhia, os controladores têm dito, em sua defesa, que não estavam cientes do tamanho do risco assumido por Zagury.
Veículo: Valor Econômico
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