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04/11/2008 10:12 - Dólar faz importador de vestuário negociar

Forte oscilação da moeda norte-americana dificulta a aquisição desses artigos a curtíssimo prazo.

 

Andrea Duca, da rede de lojas Gregory.A coleção de verão da Gregory, rede de lojas femininas, está acertada. A de inverno, quase. O motivo é a oscilação do dólar, moeda com a qual são comprados 30% de seus produtos importados. A saída para não ter mais custos com a moda inverno, que já está definida, e para não repassar o possível aumento para o consumidor final, segundo a diretora de Marketing, Andrea Duca, será a negociação com os fornecedores.

 

"Não tivemos problemas com a coleção de verão, pois já estava negociada havia oito meses. Mas agora não adianta fechar nada com o dólar em alta. Temos pedidos fechados, mas estamos aguardando um pouco para negociar com os fornecedores. Apesar da crise, não pretendemos reduzir as compras, nem repassar aumentos para o consumidor. Em último caso, trocamos os tecidos importados pelos nacionais para reduzir os custos. Apesar da crise, estou otimista. Acredito que este momento não irá se estender por muito tempo", disse Andrea.

 

A crise mundial está até sendo bem-recebida pelo SindiVestuário, entidade das indústrias de confecção, que prevê um Natal mais rentável para o setor, com um incremento de até 8% sobre 2007. A projeção é feita com base na redução de importações da China, devido à alta da moeda americana.

 

Na outra ponta, a Abeim (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) prefere não fazer perspectivas para as vendas de fim de ano e concorda que com a alta do dólar dificilmente entrarão muitas importações chinesas. Para o presidente da entidade, Sylvio Mandel, o consumo não irá diminuir por causa da crise.

 

"O setor ainda não sofreu alterações. Não haverá uma avalanche de produtos chineses por alguns motivos: os artigos importados já estão nas lojas, e outros foram comercializados. O que pode acontecer é um leve aumento nos preços das mercadorias que foram compradas e serão pagas agora, com uma taxa que não pára de oscilar. Além disso, o varejo já está pensando lá na frente, tanto que 80% do inverno 2009 está comprado. O consumo não vai parar por causa da crise", disse Mandel.

 

União – Evitando o tom pessimista de muitos setores, a Abeim prefere não fazer previsões neste momento. "Observamos a movimentação do governo diante das notícias que mudam a cada dia. Mais do que nunca, a indústria, comércio e serviços devem se unir para buscar soluções equilibradas. Acredito que o Natal deve ficar no mesmo patamar do ano passado e os preços podem ter ligeira alta por causa da oscilação cambial", salientou Mandel.

 

Diferentemente da Abeim, o presidente do SindiVestuário, Ronald Masijah, comemora a alta do dólar, por acreditar que isso é positivo para o setor e diminuirá a concorrência com os produtos importados. Tanto que antes da crise, a projeção de crescimento para as vendas do Natal era de 4%, e agora chegou a 8%, sobre 2007.

 

"Deste limão (a crise financeira mundial), vamos fazer uma limonada, tirar algo positivo. O dólar na casa dos

 

R$ 2,30 ou R$ 2,50 protege, de uma certa forma, a indústria e o emprego no vestuário, que vem perdendo competitividade para as importações de roupas chinesas devido ao câmbio muito baixo nos últimos 12 meses", disse Masijah.

 

Ao contrário da Abeim, o SindiVestuário informa que não haverá aumento de preços, como nos anos anteriores. "Ao longo de todo o Plano Real, para um reajuste médio da ordem de 95%, o setor reajustou menos de 15%. Para o Natal, não haverá nenhum aumento de preços da indústria para as lojas", disse Masijah.

 

Veículo: Diário do Comércio - SP

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