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28/10/2008 08:44 - Embarques de arroz superam importações

Nos nove primeiros meses de 2008, o Brasil vendeu mais arroz que comprou, e isso já não acontecia há um bom tempo. De março a setembro, 481 mil toneladas do grão foram parar no mercado externo, enquanto outras 318 mil eram importadas, gerando um saldo positivo de 163 mil toneladas, de acordo com o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). As exportações já resultaram em um faturamento de US$ 211,2 milhões.

 

Desde de 1990 e as premissas comerciais estabelecidas na América Latina pelo Mercosul, o País importou do Uruguai uma média de 1,2 milhão de toneladas de arroz ao ano. Em alguns desses anos, o mesmo vizinho Uruguai chegou a exportar 80% de sua produção para cá. Neste ano, até o final de setembro apenas 17% da produção de lá veio parar no mercado brasileiro, situação que não deve melhorar muito até o fim do ano, como admitem as corretoras que comercializam o grão.

 

Luiz Knorr, corretor de arroz da Knorr & Knorr Ltda, revela que há 60 dias não negocia uma saca sequer do grão. "Hoje eu tenho 1 milhão de bolsas de 50 quilos para negociar, mas vender o arroz uruguaio aqui com o dólar a esse preço se tornou inviável". Para escoar essa produção de agricultores independentes do País vizinho, Luiz diz ter que "travar o negócio em real". Os últimos negócios fechados pelo corretor foram a US$ 580 a tonelada. Segundo ele, a atual volatilidade do mercado cambial ainda suspendeu por tempo indeterminado todas as negociações entre os dois países intermediadas pela Knorr & Knorr. "Não tem como colocar arroz no mercado interno a R$ 45", o arroz gaúcho está cotado hoje a cerca de R$ 35. Segundo o diretor Comercial do Irga, Rubens Silveira, o volume financeiro das importações alcançou US$ 132,1 milhões em 2008.

 

Do outro lado da balança comercial, só as exportações do mês de setembro superaram alcançaram 83,6 mil toneladas. Os principais destinos do produto brasileiro foram Benin (22,6%), Cuba (11,8%), Senegal (14,6%), Venezuela (7,8%) e Suíça (5,8%). Atualmente, o Brasil já opera com vendas externas de arroz para 54 países distribuídos em cinco continentes.

 

A atual escalada do dólar pode estimular novas operações de vendas externas, mas deve continuar dificultando as importações. As previsões da Companhia Nacional de Abastecimento para a compra do grão no mercado internacional já recuaram de 600 mil toneladas para 450 mil durante o ano de 2008. A Safras & Mercados prevê uma demanda um pouco maior, mas ainda assim o superávit da balança comercial do arroz pesaria pelo menos 100 mil toneladas a mais para o lado das exportações.

 

"Desde 2004 nosso principal comprador foi a África, maior demandador de arroz do mudo. Eles importam quase 10 milhões de toneladas. Lá se consome quase 150 quilos de arroz percapita ao ano, aqui no Brasil esse consumo não passa de 36 quilos. Mas agora começamos a acessar mercados de arroz de qualidade, como a Europa". O avanço do arroz brasileiro pelo velho continente começou em maio, quando a Índia e a Tailândia deixaram de exportar por algumas barreiras restritivas. De acordo com os dados do Irga, atualmente 60% das exportações de março a setembro foram de arroz beneficiado, 4% arroz em casca e o restante "padrão Africa".

 

A produção brasileira que atende esse mercado se manteve estável nos últimos quatro anos, girando sempre em torno da casa de 12 milhões de toneladas. Enquanto isso, no mesmo período a produção gaúcha cresceu cerca de 35%. Neste ano foram colhidas no Estado 7,4 milhões toneladas. A participação do Rio Grande do Sul na produção total do País subiu de 48% para 61%, "e ano que vem deve chegar a 65%". 56,2% do arroz de lá vai para a África, 16% para América Central, 13,1% para a América do Sul e 12,5% para a Europa, mercado que paga um valor agregado maior pelo produto brasileiro. "Antes mandávamos arroz a granel em porão de navio, hoje nosso produto segue em conteiner e ensacado", informa o presidente do Irga.

 

Os estoques de passagem que vinham se amontoando ano a ano, em 2008 não deve chegar a 930 mil toneladas, segundo estimativa do Instituto - o menor desde 2003. "Mas isso não compromete o abastecimento, é apenas um indicador de bons preços", conclui Silveira.

 

Veículo: Gazeta Mercantil

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