Notícias do setor
Economia
Jurídico
Tecnologia
Carnes / Peixes
Bebidas
Notícias ABRAS
Geral
Redes de Supermercados
Sustentabilidade
Estaduais
 

Você está em:
  • Notícias do setor »
  • Jurídico

Notícias do setor - Clipping dos principais jornais e revistas do Brasil

RSS Jurídico

25/04/2016 14:26 - Empresa pode alterar plano em razão de dificuldade econômica

Empresas que estão em recuperação judicial e querem modificar os planos já aprovados obtiveram um importante precedente no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Parmalat conseguiu na 4ª Turma manter a alteração do seu plano de recuperação, que está em curso, apesar da discordância de um dos credores – obrigado a se submeter à nova proposta.

A decisão da Corte vem em um momento importante para as empresas que entraram em recuperação nos últimos anos e agora enfrentam dificuldades para cumprir os planos aprovados. "Há planos que foram muito bem montados em 2013 e até em 2014 e agora estão precisando de ajustes. Há um ano ninguém achava que a economia ia se deteriorar tão rápido", afirma o advogado Pedro Bianchi, sócio do Felsberg Advogados.

 

A possibilidade de alteração de planos de recuperação judicial ainda é controvertida na Justiça. De acordo com o advogado da Parmalat, Julio Mandel, no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), por exemplo, os desembargadores se dividem sobre o assunto. "O STJ nunca havia se manifestado sobre a questão", diz.

A recuperação judicial da Parmalat foi uma das primeiras do país, aprovada logo após a Lei nº 11.101, de 2005, que criou o mecanismo. No entanto, como alguns credores discordaram do encerramento do processo – deixando pendentes julgamentos de incidentes e manifestação contrária de credores – ela não foi encerrada após dois anos, como prevê a lei. O encerramento foi realizado apenas em 2013, e a partir de então o plano de recuperação continuou sendo cumprido.

 

Porém, antes de encerrar a recuperação judicial, a assembleia de credores votou e aprovou a modificação do plano, para aumentar o período de carência e o prazo de pagamento. A 1ª Vara de Falências e Recuperações judiciais de São Paulo homologou a decisão da assembleia-geral de credores que modificou o plano de recuperação judicial originalmente aprovado. Mas uma das credoras, a Companhia Metalúrgica Prada (que integra o Grupo CSN), discordou das mudanças propostas e recorreu da decisão.

No TJ-SP, a decisão foi reformada, mantendo-se as condições do plano antigo apenas para a Companhia Metalúrgica Prada. O tribunal considerou inviável a alteração quando um dos credores discorda da mudança. A decisão não vetou o novo plano, apenas definiu que não afetaria os direitos da Companhia Metalúrgica Prada. Para a Parmalat, porém, o fato de uma das credoras se recusar a aceitar o novo plano iria contra a igualdade entre credores e levaria outras a recusarem as novas condições. A empresa recorreu então ao STJ.

 

Na Corte, por unanimidade, a 4ª Turma reformou a decisão do TJ-SP. Sendo assim, a Companhia Metalúrgica Prada foi obrigada a submeter-se ao novo plano. No voto, o relator, ministro Luis Felipe Salomão, destacou que o legislador, ao tratar de recuperação judicial, traçou os princípios da relevância dos interesses dos credores e da preservação da empresa.

A legislação, de acordo com o magistrado, procurou destacar a importância da função social da empresa perante o interesse dos credores e seu tratamento igualitário. "Não é apenas a legislação brasileira que prevê esse princípio (da preservação da empresa) como o vértice do processo de recuperação judicial", afirma o relator em seu voto.

 

"Não está a se falar de descumprimento do plano apresentado. Se assim fosse, poderia o credor dissidente, nos termos da Lei de Falências, postular pela convolação da recuperação em falência, o que não ocorre na espécie", diz o relator. No caso, apesar de o prazo de dois anos ter sido extrapolado, a recuperação judicial não foi encerrada durante esse conflito.

As empresas costumam conseguir seguir os planos aprovados, segundo Mandel, mas têm dificuldades em momentos de crise. O pedido de revisão do plano de recuperação judicial da Parmalat ocorreu no contexto da crise do leite, em 2007, acrescenta o advogado. "O precedente do STJ vai evitar muitas falências", afirma.

 

Apesar de a lei não estabelecer expressamente a possibilidade de renegociação do plano de recuperação judicial já aprovado, o Poder Judiciário tem sido mais flexível na interpretação dos planos, pensando na sobrevivência das empresas, segundo o advogado Pedro Bianchi. "A decisão do STJ passa a segurança de que a tendência da jurisprudência é de preservar a empresa", diz.

A Companhia Metalúrgica Prada ainda poderá recorrer da decisão no próprio STJ ou levar a discussão ao Supremo Tribunal Federal (STF). Procurado pelo Valor, o advogado da empresa, Walker Orlovicin, afirmou que o escritório não comenta processos de clientes. Já a CSN não deu retorno até o fechamento da edição.

 

Por Beatriz Olivon

 

De Brasília

 

 

Fonte: Valor Econômico (22.04.2016)

Enviar para um amigo
Envie para um amigo
[x]
Seu nome:
E-mail:
Nome do amigo:
E-mail do amigo:
Comentário
 

 

Veja mais >>>

17/07/2026 11:48 - Motivo de força maior isenta empresa de multa por não cumprir cota para PcD
17/07/2026 11:48 - Indenização por produto com defeito é sujeita ao prazo prescricional
17/07/2026 11:47 - Receita Federal divulga nova classificação trimestral do Programa Receita Sintonia
17/07/2026 11:47 - STJ – Sistema Justiça poderá sofrer oscilações no fim de semana
16/07/2026 11:51 - Transação Tributária 2026: Receita Federal publica dois novos editais de negociação de débitos em contencioso administrativo
16/07/2026 11:50 - Câmara aprova regulamentação da relevância para admissão do recurso especial; projeto vai à sanção
16/07/2026 11:49 - STJ aplica fungibilidade após juízo induzir recorrente em erro sobre natureza da decisão
16/07/2026 11:49 - TRT 2ª Região – PJe está temporariamente indisponível
15/07/2026 12:06 - Senado aprova MP com novas regras do frete mínimo rodoviário
15/07/2026 12:06 - Comando para IA oculto em contestação gera multa por litigância de má-fé a advogados
15/07/2026 12:05 - Lote especial de restituição automática do IRPF será pago hoje
15/07/2026 12:04 - TRF 2ª Região – STI: Confira as datas de indisponibilidade do sistema e-Proc na 2ª Região para este ano
15/07/2026 12:03 - TRT 2ª Região – PJe e SisconDJ ficam indisponíveis neste sábado (18/7)
15/07/2026 12:01 - TRT 1ª Região – Indisponibilidade de sistemas e serviços de comunicação em algumas unidades do TRT-RJ
14/07/2026 14:28 - Lesão fora do horário de expediente e em atividade alheia à função contratada não é considerada acidente de trabalho, decide 4ª Turma do TRT-RS

Veja mais >>>