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12/12/2012 18:47 - Teletrabalho cresce mais entre grandes empresas

No início de 2012, a líder de comunicações externas da IBM Christiana Cardoso realizou uma mudança radical na rotina do trabalho. Trocou o caminho entre a casa, no Jardim Botânico, e o prédio da IBM no Rio de Janeiro, em Botafogo, para a distância entre o quarto e o escritório.


A profissional, que já tinha o costume de trabalhar de casa pelo menos uma vez por semana, passou a atuar diariamente a distância. Além de não perder mais até duas horas por dia no trânsito, ela agora acha mais tempo para conciliar a vida profissional e pessoal e ter mais controle sobre a rotina, o que se tornou essencial após o nascimento do segundo filho.


Christiana é um exemplo de uma tendência que se torna cada vez mais comum no Brasil: o teletrabalho. Uma pesquisa da Market Analysis com quase 500 pessoas indica que, hoje, 30% dos profissionais brasileiros usam o trabalho remoto de alguma forma - índice 7% maior do que o registrado em 2008. Como Christiana, mais da metade desses trabalha de casa todos os dias.


Outro destaque da pesquisa é o aumento do número de grandes companhias que passaram a adotar essa prática - antes mais restrita a micro e pequenas empresas. O percentual passou de 19% para 31% nos últimos quatro anos. "O teletrabalho está sendo visto como uma estratégia para o crescimento da organização", explica Fabián Echegaray, diretor da Market Analysis.


Na IBM, a prática existe no Brasil desde 2005 e cresceu mais de dez vezes nesse período. A gerente de programas de diversidade e inclusão para a América Latina, Eliane Ranieri, explica que o teletrabalho aumentou a produtividade e a satisfação dos profissionais, além de diminuir o custo com a infraestrutura. "Podemos usar os espaços da empresa de uma forma melhor", explica. Ela mesma adotou o home office neste ano e só aparece na sede da IBM cerca de duas vezes por semana, de acordo com a necessidade do trabalho.


Segundo Echegaray, a crise econômica fez com que companhias grandes promovessem medidas de corte de custo, e o teletrabalho foi uma delas. "A prática surge como mecanismo de otimizar recursos e diminuir despesas", explica. De acordo com a pesquisa, quase metade dos que trabalham de casa fazem isso por opção própria. Já para 27%, essa é uma exigência do empregador. Outra razão para o crescimento da prática foi o fato de as empresas encararem essa "liberdade" como benefício para motivar e reter profissionais.


Christiana considerou a mudança bastante positiva. "Ganhei em produtividade e no equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional", afirma. Ainda assim, ela diz que precisou ensinar aos filhos que, mesmo estando em casa, ela não está completamente disponível. Além disso, separou o local profissional, restrito ao escritório, e o pessoal - o quarto, que ela considera um "ambiente de paz", para onde evita levar trabalho. Ela hoje não se vê voltando para a rotina "tradicional".


O número de pequenas empresas que fazem uso do teletrabalho também aumentou nos últimos quatro anos, mas de forma mais lenta - de 21% para 23%. "Elas sempre usaram o teletrabalho para evitar algumas despesas", diz Echegaray. Um exemplo é a Escola24Horas, site que oferece aulas de reforço on-line em qualquer horário. Desde 2002, quando a companhia começou um programa piloto para que os professores contratados atuassem remotamente, o número de profissionais praticamente dobrou para cem, sendo que o maior aumento aconteceu nos últimos três anos, quando a empresa cresceu 20% ao ano.


Segundo Severino Felix da Silva, fundador e presidente da empresa, a razão inicial para adotar o trabalho a distância foi a necessidade de os professores estarem disponíveis 24 horas por dia - como o escritório da empresa fica no centro do Rio de Janeiro, a segurança dos profissionais se tornou uma preocupação.


Com o tempo, a prática deu tão certo que foi adotada por toda a equipe, o que diminuiu a necessidade de deslocamento dos profissionais e permitiu que a empresa contratasse pessoas de outras cidades. "Acabou sendo um fator importante em relação ao custo e ao recrutamento", explica.
Por Letícia Arcoverde | De São Paulo



Fonte: Valor Econômico (12.12.12)

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