Jurídico
29/07/2011 14:15 - Empresas farão blitze em bagagem de mão
Equipamento na área de inspeção por raio X irá barrar embarque de passageiro com malas acima do limite permitido.
A medida deve ser implantada nos voos nacionais no fim do ano; regra prevê máximo de 5 kg e 115 cm de volume
O governo federal e as companhias aéreas planejam barrar passageiros que tentem embarcar com bagagem de mão acima dos limites permitidos nos aviões.
A ideia é instalar gabaritos de metal na área de inspeção por raio X nos aeroportos, para medir a bagagem.
Se a mala couber no suporte, passa; caso contrário, terá que ser despachada -o que obrigará o passageiro a ir até o balcão da empresa aérea e correr risco de perder o voo.
A medida deve ser implantada nos voos nacionais -nos internacionais ainda não está definido- a partir da alta temporada, no fim do ano. A articulação se dá entre Infraero (estatal dos aeroportos) e sindicato das aéreas.
Trata-se de um modo de cumprir o que já está previsto. Uma norma de 2000 da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) determina que as bagagens de mão não excedam 5 kg nem 115 cm de volume (soma de comprimento, largura e altura). Hoje, quase ninguém cumpre.
A justificativa para a proposta é que, com a disseminação do check-in via internet, mais passageiros têm ido direto para a fila do raio X, em vez de passar pelo balcão da companhia. Na Gol, um a cada três faz isso.
Os passageiros têm mais razões. Quem tem pressa não despacha a bagagem para sair rápido dos aeroportos, sempre lotados. Em Cumbica, a mala chega a demorar uma hora e meia no pico, revelou a Folha no dia 21.
O engenheiro José Abrileri, 60, é um dos que embarcam com bagagem de mão a mais.
"Vou muito pro Nordeste a trabalho e já fiquei uma hora e 20 esperando." Além disso, embarcar com mais malas evita o pagamento por bagagem despachada; o limite é de 23 kg.
EXCESSOS
Sem o controle de bagagem ocorrem os excessos.
Um passageiro com duas malas, por exemplo, demora mais para acomodá-las, retarda a movimentação dos demais no avião e enche o bagageiro, feito para abrigar um volume por assento.
Todos levam mais tempo para se sentar e a aeronave aumenta o período em terra -e ela só é rentável voando.
Fazer o governo chancelar a iniciativa foi um modo de o sindicato dissociá-la de uma única companhia, o que poderia ser considerado antipático pelos passageiros.
A Infraero está disposta a comprar e pôr os gabaritos nas áreas de raio X, apurou a Folha. Às empresas caberia informar passageiros.
Colaborou JUCA VARELLA
RICARDO GALLO
DE SÃO PAULO
Fonte: Folha de São Paulo (29.07.11)
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